Dicas

Síndrome do Trato Iliotibial

12 de abril de 2017 por Prime Fisioterapia

A síndrome do trato iliotibial é uma lesão comum no esporte com um predomínio maior em atletas de corrida e ciclistas. Dados científicos apontam esta síndrome como  a segunda lesão mais comum em joelhos de esportistas, representando um total de 15% das lesões esportivas.

O trato iliotibial é uma banda muscular que tem origem no osso ilíaco do quadril, estende-se por toda a face lateral da coxa, passando por cima do côndilo femural até a inserção do seu tendão no tubérculo de Gerdy na tíbia (face lateral do joelho). Basicamente essa banda iliotibial tem a função de estabilizar o quadril e o joelho lateralmente, além de auxiliar o músculo quadríceps (músculo anterior da coxa) a realizar a extensão da perna, auxilia também os músculos isquiotibiais (músculos posteriores da coxa) a realizarem a flexão da perna

A síndrome do trato iliotibial caracteriza-se principalmente pela inflamação do tendão (tendinite) pelo constante atrito do seu tendão sobre o côndilo femural.  Esse atrito ocorre por movimentos repetitivos de flexão e extensão do joelho, acometendo principalmente atletas que apresentam fraqueza e desequilíbrio dos músculos flexores e extensores do joelho, sobrecarregando a função do trato iliotibial,  que passa a exercer o papel de flexor e extensor do joelho e não mais o papel de músculo auxiliar (sinergista) do movimento.

Alguns artigos científicos consideram também as alterações rotacionais do membro inferior (quadril, joelho e tornozelo), bem como os encurtamento da musculatura do quadríceps e tríceps sural (panturrilha) como possíveis causas da síndrome do trato iliotibial, porém sabe-se que a sobrecarga de treinamento e o uso inadequado de calçados esportivos também podem contribuir e/ou agravar a lesão.

A síndrome do trato iliotibal apresenta-se como uma hipersensibilidade, dor e queimação na face lateral do joelho. As dores são comuns logo no início da atividade física, vão aumentando conforme o ritmo e intensidade, podendo até limitar momentaneamente os movimentos de flexão e extensão do joelho caso o atleta insista em continuar treinando. Geralmente as dores desaparecem com o repouso, mas retornam quando a atividade física é reiniciada.

A lesão é diagnosticada através de avaliação clínica do paciente, testes de força muscular, mensuração dos encurtamentos musculares e por último com exames de imagem como ultrassom e ressonância nuclear magnética.

O tratamento é exclusivamente conservador com repouso, anti-inflamatórios (prescrito pelo médico) e Fisioterapia, a qual utiliza-se de recursos para acelerar a resolução da inflamação, diminuição da dor e em seguida realizam-se exercícios específicos de alongamento, fortalecimento e propriocepção visando o reequilíbrio muscular e articular.

Na fase final do tratamento de Fisioterapia o paciente e o treinador são orientados ao retorno gradativo dos treinos e estímulos de corrida, durante esses testes se o paciente não apresentar mais dores e inflamação na região ele é orientado a continuar com exercícios de fortalecimento e alongamento, recebendo alta para o retorno ao esporte.

Lembre-se: treinar com dor não é saudável, as dores são os primeiros sinais/sintomas que algo está errado em nosso corpo. A dor leve de hoje pode ser a dor crítica e limitante de amanhã, aos primeiros sinais converse com o seu treinador e procure tratamento.

Evaldo D. Bosio Filho:
Pós graduado em Fisioterapia Músculo Esquelética. Especialista em Fisioterapia Esportiva pela Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva. Fisioterapeuta de atletas amadores e profissionais de corrida. Consultor e colunista de Fisioterapia Esportiva de diversos meios de comunicação. Membro da Associação Brasileira de Reabilitação da Coluna, Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva, Sociedade Brasileira de Reeducação Postural Global – RPG. Diretor Clínico da Prime Fisioterapia Esportiva. Site: www.primefisioterapia.com.br

Editado em 12 Abr 2017